Marido, Namorado, Peguete…

agosto 23, 2013 às 7:18 pm | Publicado em Dicas | 6 Comentários

aUma coisa é certa, se você é solteira, a pegação rola solta no navio, se você quiser a oferta é grande! O problema só é na hora de levar para a cabine. Se você mora com mais alguém, o que acontece na maioria dos casos, a coisa complica. Antes de tudo, tenha um bom relacionamento com o seu cabinmatte, coloquem todas as cartas na mesa e discutam abertamente o que pode e o que não pode. Muitas vezes, por termos nacionalidades e culturas diferentes, a coisa fica estranha. Eu já morei com todo tipo de gente. Do tipo que não se importa se tem mais alguém na cabine, e do tipo que não gosta que seu namorado sequer ligue, quem dirá entre ou durma. Mas também já morei com gente bacana, que cada uma tinha o seu namorado, ninguém se importava se o namorado da outra ia dormir lá, e sempre combinávamos os momentos para ficar a sós com o bofe.

Se você namora a mais tempo ou é casada, pode apresentar sua documentação e tentar uma cabine com o maridinho. Privacidade é luxo para tripulação, e você deve lutar por isso se acha que deve. Há cias mais flexíveis quanto a isso, mas varia também da disponibilidade de cabines. Existem barcos onde as cabines são para três ou quatro pessoas, então fica complicado colocar apenas um casal onde deveriam ter mais pessoas. E fica mais complicado ainda dormir com o namorado quando ele tem mais três cabinmattes…

No começo eu achei que ia sofre com isso, mas a gente acaba se acostumando a viver com outra pessoa, e também com o namorado dela! O melhor é sempre ter um relacionamento bom com quem você mora, para evitar constrangimentos e até brigas! E não caia nessa de só namorar chefes ou oficiais, que tem cabines melhores ou sozinhos que vai pelo mal caminho, hein? Essas são as brasileiras mais mal faladas dos barcos.

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Meu Primeiro Dia a Bordo

agosto 21, 2013 às 7:09 pm | Publicado em Uncategorized | 2 Comentários

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Eu já tive quatro primeiros dias a bordo, pois são 3 contratos e mais um transfer. E ainda assim, o primeiro dia não é legal. Muita informação ao mesmo tempo, ainda mais se você é marinheiro de primeira viagem ou não conhece o barco.

Tudo começa com você, ainda em casa, preparando a sua documentação. Confira um zilhão de vezes se não está esquecendo nada, pois um papel faltando pode te mandar para casa, não importa se você atravessou oceanos para embarcar.

Depois de passar pela burocracia do aeroporto e do porto, mostrando que você está viajando a trabalho para embarcar em um navio de cruzeiros, você finalmente chega ao barquinho, e é convidado a esperar do lado de fora, até que venha a enfermeira e cheque os seus exames médicos. Se todos os exames e vacinas estão ok, ela chama a crew purse. Que vai verificar seu passaporte e outros documentos. Tudo correto? Agora sim você pode entrar no navio, carregando as suas próprias malas, é claro.

Então você vai até o Crew Office, onde vai assinar toda a papelada e receber um envelope com a sua name tag, chave da sua cabine, um livreto de vida a bordo, o calendário das coisas que você DEVE fazer no mesmo dia com locais e horários e uma folha que se chama ‘sign on sheet’. Essa folha é a bendita onde todo mundo tem que assinar para que você receba o seu crew pass, que é o seu cartão para poder sair do barco e fazer compras no bar.

A primeira saga do dia: descobrir onde fica a sua cabine! Sempre há uma boa alma para te explicar (e se tudo der certo, te ajudar com a bagagem). Segundo desafio: encontrar onde entregam o uniforme. É sempre em um lugar remoto, onde não se passa com muita frequência. Normalmente, nos andares inferiores, perto da laundry, mas há exceções.

Depois, já com uniforme, você deve se apresentar ao seu chefe de departamento, e ele vai te dizer o que fazer, de acordo com o calendário que a crew purse te deu. Se você ficar a toa, seguramente ele vai te colocar para trabalhar.

Antes no navio zarpar você deve ter a familiarização com o Safety Officer, para saber (mais ou menos) o que fazer em caso de emergência. Isso acontece no primeiro dia porque o acidente com o Concórdia, por exemplo, foi no dia de embarque. E ainda tem a familiarização com o Security Officer e o Enviromental Officer. Essas duas não são necessariamente no primeiro dia, e são essas que normalmente vão te impedir de pegar o seu crew pass no mesmo dia…

Depois dessa saga, você ainda vai trabalhar mais um pouquinho! Principalmente se você é da área de bar, restaurante ou housekeeping. Deu fome? Não esquece de procurar o crew mess! De preferência, antes de começar a trabalhar.

A primeira semana no geral é confusa. Você vai se perder muito até aprender o caminho da sua cabine, do trabalho e do crew mess. Vai ficar com uniforme sujo até descobrir que dia tem laundry. Mas o caminho do bar te juro que você aprende rapidinho…

 

O Temido Transfer

agosto 20, 2013 às 7:12 pm | Publicado em Uncategorized | 4 Comentários

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Como eu já tinha contado aqui antes, em novembro do ano passado eu embarquei no Empress. FIz o drydock, fizemos o crossing até o Brasil. E logo na primeira semana aqui no Brasil eu fui informada que seria transferida para outro navio da frota no dia seguinte, o Zenith. 

Tudo foi meio no susto, e eu deveria me preparar como se estivesse indo para casa em menos de 12h, e ainda trabalhar normalmente naquela noite no dining room. O processo é igualzinho a ir de férias, tem que devolver uniforme, receber o faz-me-rir, coletar todas as assinaturas e ir. O Zenith não seria a minha escolha devido a rota que faz no Brasil, os tão temorosos cruzeiros de três dias, mas no final das contas foi bem banaca.

Teoricamente, o transfer é uma coisa aleatória. No caso, o departamento do restaurante do Zenith estava MUITO defasado, então a cia decidiu que ia ser melhor transferir algumas pessoas do Empress e do Sovereign, aproveitando que os três navios estariam no mesmo dia em Santos, do que esperar novos crewmembers. No total, foram 6 pessoas de cada barco a ir para o Zenith.

Transfer é muito comum, por logística mesmo, mas também pode ser requisitado pelo crewmember, desde que ele tenha uma razão válida, como se o seu marido ou namorado está em um barco e você em outro. Mas nesses casos, a despesa do transfer é por sua conta. 

Mudando de Posição

agosto 15, 2013 às 7:34 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

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Depois de três contratos trabalhando no restaurante, eu resolvi que era hora de respirar outros ares. Era mudar ou parar de embarcar. O restaurante foi muito bom para começar o caminho nos barcos, mas não era o caminho que eu queria seguir. Na Pullmantur existe um programa interno que incentiva a mudança de cargo, não só dentro do mesmo departamento mas também em outros. Todos os meses o Gerente de RH do barco coloca no mural as vagas em aberto na cia, e você pode tentar. O processo é simples, basta ter mais de um contrato na empresa e nenhuma advertência por escrito, que chamamos de warning. Você deve ter experiência comprovada na área aplicada. Depois de entregar a documentação, vem a fase de entrevistas, como num processo em terra. E depois, se aprovada, pode mudar ainda no mesmo contrato, ou quando vai para casa, volta já na nova posição.

Eu mudei de Ass. Waiter para Casino Hostess. De cassino eu não entendo muito, mas de hostess sim. Para aplicar para esse cargo eu deveria ter domínio de programas como Corel, Photoshop e Publisher, além de falar mais de duas línguas. O processo foi muito rápido, pois realmente estavam precisando no navio onde eu estava, então em poucos dias eu tinha sido aprovada e já tinha feito a mudança. No meu caso, eu mudei bem no dia que eu deveria ir de férias, então meu contrato foi um pouco mais longo do que o planejado, mas super valeu a pena. Eu fiquei os três meses requeridos como probation, e agora sou oficialmente parte do Cassino.

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